O PONTO DE EQUILÍBRIO

 


O PONTO DE EQUILÍBRIO

Somos humanos, e por sermos humanos somos tendencialmente levados a extremos.  Há poucos dias atrás o tema: “Convid 19”, tinha muito pouca importância. Facilmente se gracejava com aquilo que ouvíamos e parecia estar tão distante. Ainda me lembro da primeira vez que ouvi a primeira notícia do que estava a acontecer com a China, cheguei a pensar sobre isso, mas não ao ponto de me preocupar como agora. Apesar de alguns ainda não perceberem a gravidade do que vivemos começam-se a presenciar os exageros da preocupação, medo e pânico, e este é igualmente um grande perigo. 

A carta de Paulo aos Coríntios é uma grande ajuda neste equilíbrio que tanto precisamos. Esta é uma carta tão pessoal do apóstolo, em que ele sem receios expõe a sua fragilidade. Assumirmos a nossa fragilidade não é um sinal de covardia, mas de sabedoria. Por outro lado, pensar que não somos frágeis é um sinal de tolice e ignorância. Paulo viveu tempos muito difíceis e viu a igreja enfrentar grandes desafios. Quando lemos as sua palavras não o ouvimos dizer: “Não se preocupem irmãos não vamos sofrer nada.” Pelo contrário, ele escreveu: “não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira oprimidos acima das nossas forças, de modo tal que até da vida desesperamos;”. No entanto, em suas palavras há sempre uma palavra de confiança em Deus, sabendo que as nossas vidas estão em suas mãos. 

E nesse mesmo sentido no capítulo 4:8,9 ele faz 4 declarações incríveis, que falam sobre o ponto de equilíbrio entre a fragilidade humana e o poder de Deus que opera em nós. Ele diz: “atribulados, mas não angustiados, perplexos, mas não desanimados, perseguidos, mas não desamparados, abatidos, mas não destruídos” ao ler estas declarações no original poderíamos parafraseá-las assim:

Podemos sofrer pressões grandes, mas não estamos num beco sem saída, podemos ficar perplexos, mas não ao ponto do desespero completo, podemos ser perseguidos, mas não somos deixados ao abandono, podemos ser derrubados, mas nunca destruídos por completo.

A verdade é que com Deus ou sem Deus todo o ser humano é frágil. A grande diferença é que com Deus, o poder divino é manifesto na fragilidade humana. Por isso, a minha grande preocupação está com aqueles que ainda não experimentaram esta manifestação de poder em sua vidas, e lamento dizer, mas apesar de todo o esforço humano que possamos fazer o homem é frágil, os profissionais de saúde são frágeis, os políticos são frágeis, a sociedade é frágil e tão depressa se vai de um ponto de despreocupação para um ponto de desespero total. 

Mas a igreja ainda aqui está e apesar de sermos igualmente frágeis não esqueçamos que em nós se manifesta o poder de Deus. E que isto não seja apenas para benefício nosso, mas para sermos canais de transmissão de poder, esperança, vida e salvação que há apenas em Jesus. Não estranhemos ver ações inconsequentes de pânico, e desespero e não sejamos igualmente promotores das mesmas. Penso que o nosso papel não é de julgar ações, pois o homem natural faz o que lhe é natural.

Nós somos o sal e a luz, o ponto de equilíbrio. Que possamos encarar a circunstâncias instáveis e críticas como oportunidades de Deus, de seremos seus ministros num mundo completamente desnorteado, apavorado e desesperado.

Sara Rosa


Crédito Foto: Foto de Brady Knoll no Pexels

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